Coloquei o Eugenio Barba de lado. Não por muito tempo. Retornarei a ele e toda sua experiência com o teatro. Mas precisava de um pouco de poesia. Alguma coisa mais livre da ciência. Me disse Freudinho ontem, enquanto eu esperava o meu analista, que "os escritos estão submetidos à necessidade de criar prazer intelectual e estético, bem como certos efeitos emocionais." Por isso, explicava ele, as histórias nunca contam a realidade tal como é, a esse privilégio chamamos "licença poética". A ciência acaba com a licença poética, e com todos prazer da literatura.
Pois bem, deixei um pouco de lado os meus estudos sobre a antropologia teatral e aceitei a sugestão de um amigo sobre um livro que trazia poesia em forma de prosa. Um Rio Chamado Tempo, uma Casa Chamada Terra, esse é o nome do livro. O autor é um moçambicano que se chama Mia Couto. Logo, o que imaginei: negro. Comecei o livro nessa intensão. Os jogos de palavras são lindos, realmente, meu amigo traduzira bem: poesia em prosa. Mas de repente descobri (através da foto que vem na orelha do livro) que o dito cujo não era negro! O livro mudou de cor. As palavras já em soam diferentes... culpa da imagem que criei...
Mas enfim... superarei meus preconceitos e sei que vou adorar o livro mesmo o autor sendo branco. Africano branco não tem a mesma graça.
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