Olho, procuro, penso. O olhar desvia para outro canto, nada aqui também. Olho tudo em volta e não vejo nada. A chuva, a natureza, os pássaros, a piscina nova, nada me parece interessante o suficiente para se tornar objeto: o objeto do meu discurso.
A vida, me disse hoje um colega meu, são discursos. E não deixa de ser. A linguagem, as relações, as palavras ditas e não ditas, os pontos de vista, os silêncios. Os discursos. E nesse raciocínio me lembro também do texto que li para um disciplina, um tanto feminista, chamada "A questão feminina" e que falava da escrita da mulher. E aqui estou eu escrevendo! E como disse a autora, vou marcando nessa tela em branco e no meu corpo os discursos do meu mal-estar, do meu olhar, das minhas relações e acabo usando essa mesma tela, corpo como letra que forma minha palavra. Já não sei se me fiz compreender.
Na procura do objeto me descobri sem objeto mas mesmo assim com a palavra e que de repente serei capaz de escrever e discursar sobre aquilo que não tenho. Aliás, o que é o significante se não a falta?
Eta vidinha psicanalítica...
Um comentário:
Objeto cênico isso sim
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